A Língua Portuguesa no Mundo

 As novas conjunturas políticas, económicas e sociais alteraram significativamente a importância da língua portuguesa no mundo e reforçaram o seu estatuto de língua internacional. Também a consolidação de significativas mutações geopolíticas ocorridas na Europa, na América e na África Austral, teve particular repercussão no domínio da utilização das línguas.

 Actualmente o Português é a sexta língua materna a nível mundial e a terceira língua europeia mais falada no mundo, depois do inglês e do espanhol.

 As dez principais línguas maternas no mundo

LÍNGUA

1999

2000

Posição

Falantes

Posição

Falantes

Chinês (Mandarim)

1

885.000.000

1

874.000.000

Espanhol

2

332.000.000

3

358.000.000

Inglês

3

332.000.000

4

341.000.000

Bengali

4

189.000.000

5

207.000.000

Hindi

5

182.000.000

2

366.000.000

Português

6

170.000.000

6

176.000.000

Russo

7

170.000.000

7

167.000.000

Japonês

8

125.000.000

8

125.000.000

Alemão

9

98.000.000

9

100.000.000

Chinês (WU)

10

77.175.000

10

77.175.000

Fonte: Ethnologue, Languages of the World. 13ª edição, 1999   Idem. 14ª edição, 2000

 Português – 3ª língua da Europa mais falada no mundo

País

População (em 2001)

Crescimento (em %)

Angola

12.356.940

2,88

Brasil *

167.966.700

1,28

Cabo Verde

427.790

2,96

Guiné-Bissau

1.184.700

1,99

Moçambique

17.300.000

1,95

Portugal

9.989.000

0,21

S. Tomé e Príncipe **

143.300

2,27

Timor

820.000

1,50

Total

210.188.430

In ATLASECO 2002, ATLAS ÉCONOMIQUE MONDIAL (données des bulletins mensuels de l’ONU, mi-1999; à l’exception de Timor.)

* Resultado provisório de recenseamento 2000: 170.000.000

** Fonte: Fonte: In État du Monde 2001, Éditions la Découverte.

 

Língua oficial de oito estados de quatro continentes, o Português é também língua de comunicação de doze organizações internacionais, nomeadamente na União Europeia, UNESCO, MERCOSUL, Organização dos Estados americanos (OEA), União Latina, Aliança Latino-Americana de Comércio Livre (ALALC), Organização do Estados Iberoamericanos (OEI), Organização de Unidade Africana (OUA), União Económica e Monetária da África Ocidental, idioma obrigatório nos países do Mercosul e língua oficial da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização que integra a maioria dos países africanos do hemisfério sul.

 O Português é uma língua de cultura que dá acesso a literaturas e civilizações originais e variadas que o Comité Nobel distinguiu ao atribuir o Prémio Nobel da Paz, a Ramos Horta e Ximenes Belo e o Prémio Nobel da Literatura, a José Saramago.

 Num mundo em mudança, o Português é uma língua do futuro, uma língua  a descobrir. O potencial de expansão da nossa língua em África é extremamente significativo, sobretudo no hemisfério sul, onde, para além do previsível crescimento da população dos PALOP, se regista um aumento do ensino do Português nos sistemas de ensino de países que integram a SADC, com particular destaque para a África do Sul, a Namíbia e o Zimbabwe. Idêntico movimento se verifica em vários estados da África Ocidental, assumindo especial relevância o caso do Senegal.

 Na América do Sul, a criação do MERCOSUL levou a um crescimento exponencial do ensino da Língua Portuguesa na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, verificando-se idêntico interesse pelo português em países latino-americanos não pertencentes ao MERCOSUL, especialmente na Venezuela.

 A criação de um estado de língua oficial portuguesa  na Ásia poderá favorecer o ensino do Português em diversos países desse continente e reforçará, certamente, o interesse pela nossa língua em Goa, Damão, Diu, Malaca e Macau, regiões onde alguns segmentos da população falam Português ou crioulos de base lexical portuguesa. Também na Austrália se verifica um crescente interesse pelo ensino do Português.

 O desenvolvimento das relações económicas e culturais, associado à presença de comunidades portuguesas importantes, criou condições favoráveis para a expansão do ensino da Língua portuguesa quer na Europa, com particular destaque para os países da União Europeia, quer na América do Norte (EUA e Canadá ).

 Neste contexto a forte presença de Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo é um elemento a ter em consideração.

 

Portugueses residentes no Estrangeiro – 1997 (estimativa)

Continente / Região

N.º

%

Europa

U. E.

Outros Países

1.201.163

165.537

25,93%

3,57%

América

América do Norte

América Central

América do Sul

1.015.300

6.523

1.617.837

21,92%

0,14%

34,93%

África

Magrebe

PALOP

Outros Países

1.036

33.419

505.937

0,02%

0,72%

10,92%

Ásia

Próximo e Médio Oriente

Outros Países

 913

28.358

 0,02%

0,61%

Oceânia

 

55.459

1,20%

Total

4.631.482

100,00%

Fonte: MNE/DGACCP/Divisão de Informação e Documentação

 

O século XXI assistirá, pois, a um assinalável processo de expansão da Língua Portuguesa nos diversos continentes.

 A afirmação além-fronteiras da língua e da cultura portuguesas (LCP) procura hoje promover uma síntese criativa entre o seu ensino como língua materna para as crianças e jovens que emigram; como língua segunda para os lusodescendentes que constituem já segunda ou terceira geração e, finalmente, como língua estrangeira. Esta evolução quanto ao entendimento do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) aparece como indispensável face aos desafios que nesta área se prefiguram. Procura-se superar a perspectiva tradicional dos cursos de LCP apenas como factor de ligação às origens portuguesas e como instrumento para uma eventual situação de regresso ao país, mediante a atribuição de uma dimensão mais alargada que, sem negar aquela, valorize a importância da língua portuguesa como elemento de comunicação internacional e de expressão cultural da lusofonia. Trata-se, por outro lado, de conferir ao EPE uma acrescida atracção junto das comunidades portuguesas no estrangeiro, permitindo uma dinâmica mais ajustada à realidade e às necessidades.

 Assim, a orientação prosseguida tem sido a de articular iniciativas em vários domínios complementares, designadamente:

·    a regularização e resposta adequada às necessidades, nomeadamente no âmbito da  rede “oficial” de cursos de LCP e  de outras iniciativas de promoção da língua portuguesa;

·    o apoio e clarificação do enquadramento da rede particular de cursos de LCP;

·    o desenvolvimento de projectos de acompanhamento e integração das crianças e jovens portuguesas nas sociedades de acolhimento;

·    a integração progressiva do Português nos curricula dos diversos sistemas educativos como língua estrangeira de opção;

·    a definição de medidas articuladas do ensino da Língua Portuguesa nos ensinos básico, secundário e superior assim como em situações extra escolares;

·    a melhoria da qualidade do ensino da língua portuguesa aos vários níveis.

 Última actualização: 14-05-2003 nepe@deb.min-edu.pt